terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

A lista da amada, perseguida e inesquecível Lélia Abramo

Este artigo pertence a uma grande feminista, que tenho todo respeito! Fátima Oliveira... Recomendação era só usar quando absolutamente necessário
fonte: http://talubrinandoescritoschapadadoarapari.blogspot.com/2011/02/laurinha-era-ariri-de-festa-e-vivia.html



Lélia Abramo (1910-2004), jornalista de formação
, virou atriz profissional tardiamente, aos 47 anos (1958), ao fazer parte do elenco da primeira montagem de "Eles Não Usam Black-tie", de Gianfrancesco Guarnieri, o que lhe rendeu o prêmio de melhor atriz coadjuvante. Interpretou Romana, personagem que residia num morro no Rio de Janeiro. Na estreia, foi aplaudida de pé no Teatro de Arena. Lélia Abramo fez 28 peças, 14 filmes (estreou em "Vereda da Salvação", de Anselmo Duarte, em 1964); e 29 novelas nas TVs Excelsior, Tupi, Record, Globo e Manchete.

Filha dos imigrantes italianos Afra Yole Scarmagnan e Vicenzo Abramo, fazia política como pouca gente ousou fazer: jamais transigia em questões de princípios, postura que prejudicou sua carreira na TV, mas não impediu que deixasse a marca da competência e da beleza no cinema, no teatro e na própria TV. É fundadora do Partido dos Trabalhadores (PT), em 1980.

Perseguição política nunca faltou na vida de Lélia. E desde cedo. "Aos 21 anos, do primeiro emprego, no escritório de uma fábrica, foi demitida por motivos ideológicos. Trabalhando no Sindicato dos Comerciários, foi expulsa (1937) por críticas à política trabalhista do presidente Vargas. No ano seguinte, doente, foi para a Itália, onde foi vítima de erro médico: numa cirurgia para extração do ovário esquerdo, teve extirpado o direito, que era sadio, tornando-a estéril; e um vaso não devidamente suturado causou um choque hemorrágico pós-operatório... Lá ficou 12 anos (1938-1950), período da Segunda Guerra Mundial. De volta ao Brasil, foi jornalista da agência de notícias Ansa".

No centenário de Lélia Abramo (8.2.2011), referendando o dramaturgo Chico de Assis, digo que "ela tinha o sentimento do mundo" e registro que tive a honra de conhecê-la. Integrante destacada, porém discreta e silenciosa, do governo de Luiza Erundina (1989-1992), tinha o dom de articular apoios no mundo artístico, tanto para a presença em eventos como para declarações nos momentos mais cruéis vividos pela prefeita, que foram muitos e sem tréguas.

Em uma gaveta na Coordenadoria da Mulher da Prefeitura de São Paulo, eu guardava uma lista datilografada com telefones e endereços de atores e atrizes do mundo "global" que poderiam ser acionados a qualquer hora. Duas recomendações eram seguidas à risca: só usar quando absolutamente necessário e que "a lista de Lélia" não poderia ser digitada e nem fotocopiada! Quando telefonávamos para qualquer daqueles nomes, a senha era: "Em nome de Lélia Abramo"... Jamais ouvimos um não! A primeira vez que falei com Toni Ramos, lia uma nota quando, na metade, ele interrompeu: "Está muito boa! Assino. Diga à prefeita que continuo às ordens. Abraços em Lélia!". A lista foi devolvida à atriz ao fim do governo Luiza Erundina.

Tenho duas recordações nítidas da Lélia atriz: como Bibiana Cambará, na minissérie "O Tempo e o Vento" (1985), epopeia gaúcha, narrativa das sagas das famílias Terra e Cambará, baseada em três livros - "O Continente", "O Retrato" e "O Arquipélago" - de Érico Veríssimo. Na Rede Globo desde 1964, sua personagem na novela "Pai Herói" (Janete Clair, 1979), Januária Limeira Brandão, avó da bailarina Carina (Elizabeth Savalla), foi morta prematuramente, por perseguição política da "Vênus Platinada", que a colocou no "olho da rua". Lélia presidia o Sindicato dos Artistas de São Paulo, cujas lutas - por melhores condições de trabalho e regulamentação da profissão, lei que foi aprovada - foram vigorosas.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

sensações




Meu sentimento é de pura adrenalina...
mas preciso controla essa euforia toda...
as coisas não se resolvem com momentos avassaladores...
somente o amor precisa ser avassalador!!!

estou me energizando com boas práticas, com amizades verdadeiras!
Espero que este mês termine junto com um ciclo da minha vida!
quero viver novas experiências, novos trabalhos...

sem carrega algumas mochilas que estão pesando algum tempo!


quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

enlouquecendooooo

tenho sensação que vida não cabe na loucura que passa pela minha cabeça... são tantas possibilidades... são tantas as coisas que não tenho com renunciar... ai... fico assim... querendo que alguém me diga que não sou louca!!!

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

JOVENS ASSASSINADOS

Tráfico ordena fuzilamentos

Bairros periféricos como Bom Jardim, Jangurussu, Planalto Ayrton Senna e o distrito da Pajuçara, em Maracanaú, são os recordistas nos índices de homicídios na Capital e Zona Metropolitana (Foto: Miguel Portela)

A Secretaria da Segurança Pública tornou-se impotente diante das execuções sumárias na Capital.
Do dia 1º de janeiro até ontem, nada menos, que 129 adolescentes foram assassinados em Fortaleza e nos municípios que compõem a Região Metropolitana da Capital cearense. O tráfico de drogas, conforme as autoridades policiais, tem sido o responsável pela maioria esmagadora das execuções sumárias.As dívidas contraídas pelos usuários de crack, cocaína e maconha, são quitadas com a própria vida dos devedores. A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) não consegue dar um basta nesta "guerrilha" urbana silenciosa.Um dos últimos adolescentes executados foi o estudante Carlos Kerley Marcos de Sousa, 17. Passava das 23 horas da última terça-feira (6) quando o rapaz foi atacado e morto a tiro. O crime ocorreu na Rua Lauro Vieira Chaves, em frente à Lagoa do Opaia, na Vila União.DrogasEmocionado, o pai do garoto contou que ele estudou em "colégios bons", eram um rapaz tranquilo e sonhador, como qualquer um na sua fase de vida, mas acabou enveredando pelo caminho das drogas.Na noite anterior, o cenário mudou. Foi na Favela da Lagoa da Zeza, no bairro Luciano Cavalcante, onde outro usuário de drogas, o adolescente Flávio Costa Viana, de apenas 13 anos de idade, foi também sumariamente eliminado, a tiro, por ordem dos traficantes da área.
Para completar a crueldade, o corpo do garoto foi arrastado até as margens da Avenida Rogaciano Leite, uma das mais movimentadas de Fortaleza. Mesmo assim, os assassinos fugiram.No fim de semana anterior, quando a Secretaria da Segurança Pública fez o registro de, nada menos, 28 homicídios na Grande Fortaleza (dobrando os índices em relação ao Carnaval, quando ocorreram 12 homicídios na RMF), outros três adolescentes também foram assassinados, supostamente, por ordem do tráfico. Eram os jovens Paulo Domingos Quintela Júnior, Samuel da Costa Alves e Luciano Santos de Souza.Na sequência dos fuzilamentos, o jovem Állysson Azevedo de Sousa, 17, foi baleado e acabou morrendo no Instituto Doutor José Frota (IJF-Centro). O crime ocorreu na Rua Álvaro Garrido, no Jardim Iracema (zona oeste da Capital).Somente no mês de setembro último, foram 20 adolescentes assassinados na Grande Fortaleza, quebrando recorde do mês de maior incidência de assassinatos de menores de idade. Antes, outros 16 adolescentes haviam sido mortos no mês de agosto passado.SilêncioPouco a pouco, a "lei do silêncio" está sendo quebrada pelos familiares dos jovens dizimados por ordem do tráfico. Nos programas policiais da TV, os pais de rapazes e moças assassinados começam a dar depoimentos sobre o drama de terem seus filhos "roubados" pelos traficantes e, posteriormente, mortos por conta das dívidas de drogas.Assim como o pai do garoto Carlos Kerley - executado na Vila União - outros contam o drama que sofreram até a morte dos filhos.
Nas delegacias de Polícia da Capital e Região Metropolitana de Fortaleza se avolumam os inquéritos instaurados para apurar as execuções sumárias. A maioria segue para a Justiça - depois do prazo legal - sem apontar os criminosos. COMPROVAÇÃO Execuções nos "territórios da morte" Dos 129 assassinatos de adolescentes na Capital cearense e sua Região Metropolitana, a maioria ocorreu nos "territórios da morte", áreas onde estão concentrados os maiores índices de homicídios na Grande Fortaleza, conforme apontou o mapeamento realizado, com exclusividade, pela Editoria de Polícia do Diário do Nordeste em recente reportagem especial.São as comunidades do São Miguel, Messejana, Palmeiras, Pajuçara, Planalto Ayrton Senna, Jangurussu, Bom Jardim, Granja Portugal e o município metropolitano de Pacajus.Nesses "territórios", o tráfico de drogas é considerado o maior problema enfrentado pelos moradores.
O comércio de drogas, com maior frequência de crack, as famílias vivem assustadas com o que pode acontecer com seus jovens.VítimasCarlos Henrique Severino de Lima, 15 anos; Carlos Augusto de Abreu, 16; Romário da Silva Lopes, 14; Paulo Rodrigo da Silva Ferreira, 16; Beatriz de Oliveira Ferreira, 13; Ismael Chagas da Silva, 15; e Aliantan Carlos dos Santos, 16, são alguns dos jovens assassinados em Fortaleza este ano. Em comum nos casos acima citados o fato de que todos eram moradores de uma única comunidade: o Conjunto São Miguel, em Messejana. Exatamente o bairro onde, este ano, já são contabilizados pelas autoridades policiais 28 assassinatos contra 22 do ano passado. O aumento do número de homicídios é diretamente proporcional com o avanço da ação dos traficantes.Ali, a Polícia tem reforçado a segurança, com operações diárias de patrulhas da 2ª Companhia do 5º BPM e o reforço de equipes do Batalhão de Polícia de Choque, o BpChoque (Canil, Cotam, CDC e Gate).
Mesmo assim, a comunidade se sente insegura diante da ação dos criminosos. Basta a Polícia sair por alguns instantes das ruas, becos e vielas do São Miguel, e, logo, os traficantes mostram a cara. Os tiroteios viraram rotina no lugar.Segundo o major Océlio Alves, comandante da 2ª Companhia do 5º BPM (Messejana), as operações têm surtido efeito, com importantes prisões e, principalmente, a apreensão de armas e drogas.Em uma dessas ações, a PM conseguiu apreender um adolescente com uma arma de grosso calibre. O garoto se auto intitulava de "soldado" do tráfico.Outros bairrosNo Conjunto Palmeiras, já são seis adolescentes assassinados este ano. No Jangurussu, três. No Maracanaú, nove (sendo quatro deles somente no distrito da Pajuçara).João Paulo dos Santos de Souza, 16; Rafael Justino da Silva, 15; Vanderlan Sousa Pinto, 17; e Cícero Ximenes de Melo Filho, 15, foram os adolescentes assassinados, este ano, no Conjunto Palmeiras, na Grande Messejana. Já no bairro do Bom Jardim os mortos eram os jovens Luís Eduardo Barbosa, 13; e Marcos Antônio de Souza Amorim, 16.Na comunidade do Jangurussu (zona sul de Fortaleza), o tráfico de drogas foi o responsável pela morte de, pelo menos três adolescentes, este ano, sendo identificados como Celiano Amaral da Silva, 17; Ednardo da Silva Paulo, 17; e Leonardo Martins Braga, 16.VIOLÊNCIA Garotas também são alvos dos criminosos execuções "Perdi minha filha para o crack, perdi minha para a droga..."O desabafo é da dona-de-casa Luíza Marta da Silva, 46, no dia seguinte à descoberta do corpo da filha, a adolescente Emanuela Maria da Silva, 17, no Mangue do Cocó, no bairro Aerolândia, na manhã de 6 de junho último.A garota foi encontrada semi-despida e com marcas de estrangulamento. O crime não foi um fato isolado dentro das estatísticas dos homicídios, que avança na Capital cearense.Não são apenas os garotos e rapazes que figuram nas estatísticas das execuções sumárias determinadas pelos traficantes de drogas. Entre as vítimas estão também muitas adolescentes.
Muitas são arrastadas para o tráfico pelos companheiros, namorados, maridos ou amantes."Ela era forte, alegre, bonita, uma menina alegre. Todos gostavam dela. Depois, ficou magra, acabada e sem vida", completa a mãe, se referindo à transformação que a garota sofreu após passar a consumir crack com um companheiro.CrimesA exemplo do que aconteceu com a jovem Emanuela Maria da Silva, muitas outras jovens foram assassinadas, este ano, no Ceará. O número de mulheres assassinadas no Estado já chega a 97, superando os índices do ano passado. Entre as vítimas dos assassinatos estão Vanessa Pereira da Silva, 12; Laurenila dos Santos Araújo, 16; Maria da Conceição Fernandes Mota, 15; Alana Inácio da Silva, 14; Nayara Domingos de Oliveira, 16, Raquel Edna da Silva Martins; 16, Beatriz de Oliveira Ferreira, 13; e Antônia Adrianízia Sousa da Silva, 16.Para o juiz da Vara da Infância e da Adolescência de Fortaleza, Darival Beserra Primo, os índices de crimes de mortes cujas vítimas são crianças e adolescentes, se constituem num verdadeiro massacre que ocorre silenciosamente nas ruas da Capital cearense .

FERNANDO RIBEIRO
EDITOR

terça-feira, 4 de agosto de 2009